quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Perdeu o emprego? Aproveite este momento favorável
Nossa amiga, profissional experiente na área de software, teve que ser dispensada já pelo prenúncio de crise. O que assustaria qualquer um serve como um sinal para revisar a carreira e olhar para a frente.
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Mestre Zé

SOBRE PRECONCEITOS, CONSCIÊNCIA NEGRA, OBAMA E OUTRAS COISAS AFINS
Este artigo foi escrito a quatro mãos. Em luxuosa parceria com o poeta publicado, blogueiro e pensador Pedro Geraldo Carvalho Silva, ilustre cidadão londrinense que, para nosso prazer, desfila seu talento em terras paulistanas.
"A vida não é cor-de-rosa!" desabafou a atriz global e 'gente de bem' Carolina Dieckman, 30 anos, que resolveu dividir esse achado com o seu público. "O mundo tá puxado e as pessoas tem problemas", observou a estrela que 'já passou fome' há pouco para perder 29 quilos extras, ganhos em sua segunda gravidez. "Infelizmente o Lula se elegeu e o país não melhorou". Ela, que não votou nele, até chorou quando o viu subir a rampa no Planalto. Tocantes declarações.
A Internet é uma invenção interessante. Faz circular milhões de informações por segundo. Coisas atraentes, inteligentes. Coisas curiosas. Entre elas essa citada anteriormente. Mas, há ressalvas: dá para também se sentir muito da ignorância, do preconceito camuflado do cidadão em inúmeros e-mails que chegam às nossas caixas de mensagens diariamente. Bastante coisa. É uma referência significante.
Em várias ocasiões, o mau gosto e a falta de decoro impera. E, infelizmente, parece ser conduta da população em grande proporção. Daí a conclusão: o problema deste país é falta de educação. Porém, falta educação de verdade, não essa só para fazer de conta em estatísticas. Falta ética, falta pensamento crítico. É um bombardeio de palpites e saber nada. Pior: repleto de agressões. Aí, por exemplo, tome e-mails contra o Lula, grande culpado das desgraças mundiais, desde o êxodo bíblico até a o buraco do metro na linha amarela em Sampa. O 'analfabeto', o 'nove dedos', o 'líder da quadrilha' etc. Quem não recebeu já um calhamaço virtual de textos assim pela net?! Se a educação de S. Paulo é um caos, a saúde não salva, a segurança é inexistente e o trânsito é um porre, o responsável é aquele pernambucano albergado em Brasília que cortou o mindinho para não trabalhar mais e viver no sindicato mamando numa aposentadoria. Um dos outros alvos da ocasião ainda é a ex-candidata a prefeita paulistana, Marta Suplicy. Arrogante foi o mínimo das considerações indo a graduação até safada, passando por frustrada e vadia, para usar termos mais brandos. Coisa fina, não é mesmo? Porém, um e-mail que causou ânsia foi atribuído ao jurista Yves Gandra Martins. Grande sucesso nas 'reproduções' de envios de e-mails nesta semana. Claro, diga-se, com a óbvia desconfiança da verdadeira autoria dos textos da internet, como já reclamaram Luis Fernando Veríssimo e Arnaldo Jabor, entre outros "autores" falsificados. Precisamos estar atentos, tomar cuidado. Todavia, o conteúdo é revelador desse pensamento preconceituoso que emerge na rede.
O tal texto atribuído ao jurista segue na linha da 'conspiração', uma que faz muito sucesso no correio virtual, só notar os múltiplos repasses. O argumento fala de uma classe que, no momento, está sendo lesada em seus direitos. Por quê? Por serem 'brancos'. Cá para nós, uma gente desfalcada de opções que dá mesmo dó. 'Tadinhos. O título do artigo é, exatamente, assim: "Se Você É Branco, Cuide-se!". E versa sobre como indígenas, sem teto, sem terras, negros e outros sem-vergonha têm tomado espaço dos brancos oprimidos, nesta sociedade tropical, a sociedade brasileira.
O texto pode não ser mesmo do jurista, mas, ele é um dos signatários do manifesto anti-cotas que circula no Congresso Nacional, querendo eliminar a questão da "raça", na inclusão universitária, entre outras coisas. Sem essa de reparação: isto é racismo às avessas, vociferam. O interessante é a posição sempre de protesto da sociedade e principalmente de gente que sequer conhece metade das histórias e do drama que é ser 'não branco', numa vida social que prefere jogar tudo por debaixo do tapete. Passar odor de rosas ao invés de tomar um bom banho. Aliás, na segunda metade do século XIX 'gente de bem' como Nina Rodrigues, da Medicina da Bahia, e Sílvio Romero, da Escola de Recife, se arrepiavam com 'as mazelas da miscigenação racial'. Plenamente envolvida por um darwinismo social dra. Nina defendia a existência de dois códigos no país - um para negros, outro para brancos - correspondentes aos respectivos 'graus de evolução' apresentados por esses grupos. Ninguém pergunta se os negros vieram para cá por opção própria, dar um passeio, fazer um convescote. Isso não importa?
Sem muito esforço de se necessitar ir até uma biblioteca e ler Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Roger Bastide, Otavio Ianni ou Lilia M. Schwarcz, entre outros – conselho este, direto, para os mais preguiçosos –, é só acessar pela internet recente pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) para se ter uma idéia mais precisa da questão. Confirmar o óbvio, para quem quer enxergar. Negros e pardos têm renda per capita equivalente a menos da metade da renda dos brancos. Na educação, fundamental para a formação do indivíduo, segundo pesquisa publicada em setembro pelo IPEA, negros e negras estão menos presentes nas escolas, apresentam médias de anos de estudo inferiores e taxas de analfabetismo bastante superiores. Conforme explica um dos diretores do órgão, Mário Theodoro, qualquer que seja a variável que se está estudando, a população negra está sempre mais precária do que a média nacional, ou seja, a população branca. Sempre temos este mesmo resultado. Um abismo social. E, mesmo com igual escolaridade que os brancos, 'os não brancos' são preteridos nas vagas de empregos ou promoções. Contudo, o quinhão é grande e tem muita gente de olho. Qualquer manifestação de melhora de 'uns diferentes' deve ser rechaçada. Uma gente que deve tomar 'seu lugar', leia-se: a senzala. Viva a igualdade da livre concorrência. Esses pretos, pardos e degenerados querem paternalismo. Cotas no lixo já!
Quando caiu o muro de Berlim um sociólogo argumentou que o Brasil nem sempre experimenta as correntes sociais que regem o mundo. Especialmente, acrescentaríamos nós, as mais progressistas. Para ter um Obama como presidente nos EUA, muito disso só foi possível por conta das tais 'ações afirmativas', que deram para alguns negros a chance de se mostrar capazes. Aqui isso já gera uma grita geral. Como se fosse o fim do mundo ver a melhoria de vida de outras pessoas. Afinal, de acordo com o jornalista Ali Kamel, diretor executivo da Rede Globo, mesma emissora da sábia Carol Dieckman: não há racismo neste país, afirma ele taxativamente e sem ficar ruborizado. E ponto. Tudo em nome do bom andamento do status quo.
Falta senso de cidadania por estas bandas, coisa que só se consegue mesmo, repetimos, com educação. E argumentos desse tipo no país surgem camuflados em falas, quase num chiste. Piadinhas. Uma forma perigosa de repressão, uma doença mortal e silenciosa mesmo. Que toma conta quando menos se espera. A 'gente de bem' não esperneou quando o PROER injetou dinheiro para ajudar os banqueiros. Ou quando se constata que o gasto com os juros dos títulos públicos – que não são ativos de negros, pardos e outros afins – queimou entre 2000 e 2007 um total de R$ 1,2 trilhão enquanto os recursos aplicados em educação e saúde juntos somam meros R$ 554,6 bilhões. Ou ainda que os 10% mais ricos do país concentrem 75,4% da riqueza (IPEA/2008). Vieram com a história do 'Cansei' quando houve atraso nos aeroportos... Ônibus lotado, falta de água e esgoto na periferia, isso não mobilizou os bacanas. Aqui, o senador de Illinois, Barack Hussein Obama, talvez fosse eleito deputado ou, quando muito, senador. Temos um ministro negro no STF, juiz Joaquim Barbosa. Mas, é difícil lembrar afro-descendentes em altos cargos de gestão. O que é diferente de fazer sucesso no disco, nos gramados ou rebolando em uma avenida. Aí pode. Também dá para ser síndico de condomínio.
Falando nisso, duas lembranças: uma de dona Benedita, dona de casa, católica fervorosa, recebendo a visita de umas vizinhas quando a família mudou para um conjunto habitacional na Vila Guilherme. Eram senhoras distintas que foram mostrar para a nova moradora, mãe de 3 moleques negros, como deveríamos nos portar no condomínio. Outra é de Chico Buarque. Quem teve o prazer de assistir aos documentários em dvds sobre sua carreira num certo momento fica triste junto dele, lógico, se não tem o coração gelado. Ele chora ao narrar como sua filha Helena e seu marido Carlinhos Brown, um preto baiano percussionista, foram expulsos de onde moravam. Ironicamente a 'gente de bem', escolada, esclarecida, vive pedindo autógrafo para o músico. Evidente, desde que não seja seu neighbour.
"Yes, we can", repetiu Obama em sua campanha. Como se veiculou isso por aqui. Lindo na tevê. Acenos de mão, bandeirinhas, fogos de artifício. Lacrimejante. Mas, ele é 'made in USA'. Na prática, na base do preto no branco, solidariedade aos negros brazucas, who cares? Só que o feriadão é bem vindo. Puxa, ah, isso é mesmo.
Para quem não jogou fora os neurônios, sigamos então no ritmo do "Samba da Consciência Negra" de Nei Lopes que diz: A gente precisa ter gente no andar lá de cima/ Mas não desse jeito/ sem jeito que a turma imagina./ A gente tem que ser modelo noutro figurino/ As damas no salto e os valetes/ no esporte fino/ Passando da área de serviço pro meio da sala/ Dizendo no pé e na mente/ no gesto e na fala/ E mesmo se for chamuscado ao por a mão no fogo/ A gente precisa aprender toda a regra do jogo. [...]/ Bonito é um povo mostrar a sua resistência/ Mas não de chofer ou de armário de S. Excelência./ Bacana é a gente gingar, mas no andar superior/ Naquele passo de chefe, magistrado ou senador/ E não é no afrodisíaco rap do logro/ Que a gente vai poder botar novas regras no jogo. Mas pra quê tanto tambor? Pra quê tanto berimbau? Não cabe no elevador... Ele é social! (bis - na cabeça!)
José de Almeida Amaral Júnior, 20 de novembro de 08, dia da Consciência Negra
José de Almeida Amaral Junior
Professor universitário em Ciências Sociais
Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação
Colunista do Jornal Cantareira – Vila Brasilândia, Zona Norte paulistana
Escreve semanalmente para o Jornal Mundo Lusíada
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
domingo, 19 de outubro de 2008
O nosso cérebro é completamente adaptável!!! Vc consegue ler???

Achado por Acanu, publicado no site Brasil acadêmico, citado no Overmundo, no texto"PRVAALAS ITSSTNANEERES"
alcanu
E3A UM D14 D3 V3R40, 3574V4 N4 PR414, 0853RV4ND0 DU45 CR14NC45 8R1NC4ND0 N4 4R314. 3L45 7R484LH4V4M MU170 C0N57RU1ND0 UM C4573L0 D3 4R314, C0M 70RR35, P4554R3L45 3 P4554G3NS 1N73RN45. QU4ND0 3575V4M QU453 4C484ND0, V310 UM4 0ND4 3 D357RU1U 7UD0, R3DU21ND0 0 C4573L0 4 UM M0N73 D3 4R314 3 35PUM4. 4CH31 QU3, D3P015 D3 74N70 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NC45 C41R14M N0 CH0R0, C0RR3R4M P3L4 PR414, FUG1ND0 D4 4GU4, R1ND0 D3 M405 D4D45 3 C0M3C4R4M 4 C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0. C0MPR33ND1 QU3 H4V14 4PR3ND1D0 UM4 GR4ND3 L1C40; G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 3 M415 C3D0 0U M415 74RD3, UM4 0ND4 P0D3R4 V1R 3 D357RU1R 7UD0 0 QU3 L3V4M05 74N70 73MP0 P4R4 C0N57RU1R. M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R 50M3N73 4QU3L3 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R!! S0 0 QU3 P3RM4N3C3 3 4 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0. 0 R3570 3 F3170 D3 4R314.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Cantamos no Casa Grande Hotel

Mais um bom evento produzido pela Infinitá, para Kimberly Clark, dia 18 de novembro, 2008.
Próximo evento: Clariant, segunda, dia 24 /nov.
cantamos no campim santo




8/out, em mais uma super-produção da Infinitá Multimeios
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
sua idéia vale U$10.000
Projeto 10100
Prazo para inscrição:
20 de outubro de 2008
Descubra como participar.
sábado, 4 de outubro de 2008
A nova crise da teologia do mercado
Professor universitário em Ciências Sociais, Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação, Colunista do Jornal Cantareira, Colunista pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600 Khz e escreve semanalmente para o Mundo Lusíada Online.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
3 Contos de 37 caracteres, o desafio.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Estagiários Inc.
por Márcia Denser* no Congresso em Foco
Resolvi invocar a Virgem Padroeira dos Estagiários Inc. que está no céu, na terra, em toda parte há muito tempo e o TEMPO TODO, de forma que os seres privilegiados portadores de emprego atualmente sofrem – além de todos os males, ameaças, sanções, proibições, reciclagens, flexibilizações, coações, efeitos parafuso, dominó, passaralhos, papagaios, perdas salariais, puxadas de tapete, puxassaquice pânica, pressões de cima para baixo, debaixo para cima & demais desgraças trabalhistas superpostas – dessa espécie de “assédio etário onipresente” nos locais de trabalho.
Então ocorrem umas abordagens mais ou menos assim: mocinha vem conversar com a gente no jardim-fumódromo apresentada pelo fulano do beltrano do sicrano, familiarmente e simpaticíssima vai dizendo ser de Peixes, primeiranista de Jornalismo na (segue sigla ou nome indecifrável), é faculdade nova, saca? dizendo estar disposta a nos ajudar em textos, transcrições, edições,“numa boa”, “sem remuneração”, “apenas para ganhar experiência”,inclusive se tivermos freelas até porque mora ali em frente, já perguntando nossos nomes, comentando que coincidência também descendo de italianos, mistura de índio com italiano, interessante, ficando íntima, anotando e-mails e telefones no celular, daí jogamos o cigarro, sorrimos, nos despedimos, troca de olhares enviesados, a mocinha vai embora, então suspiramos e após um curto silêncio sem palavras, acendemos outro cigarro só por desaforo.
Como “sem remuneração”, se é precisamente o Capital que anda entupindo empresas públicas e privadas com estagiários a partir de 12 anos, promovendo o referido Assédio Etário, uma das falanges dos exércitos de reserva de mais-valia, donde que os profissionais no exercício da profissão viraram ilhas cercadas de invasões por todos os lados, inclusive o de dentro, pois que nome darei a esta Sutil Intimidação Psicológica que do ponto de vista hipócrita do patrão não passa de Paranóia (nossa)?
Porque o Capital finge celebrar a juventude (nos fodendo por tabela) enquanto lhe nega qualquer futuro, carreira profissional, educação superior, porque a juventude só lhe é conveniente inculta, mal informada, burra, engolindo tudo o que lhe é enfiado pela mídia & pelo marketing, uma vez que o Capital delegou à mídia a função EPISTEMOLÓGICA.
Então, sem chance, brother, ou tu aprende tudo rapidinho e baratinho assistindo a tevê – aberta, claro, a todas as sapiências inimagináveis –, indo ao shopping, lendo Veja, Caras, Piauí, Estadão, colecionando os clássicos da Folha – mais cultural que isso, bro, só assinando a tevê a cabo – ou tu dança, tá ligado?
Infelizmente é preciso tempo e dinheiro – bons colégios e universidades, apoio físico, moral, afetivo de pais & mestres, etc. para o ser humano se tornar culto, inteligente, um profissional eficiente, isto é, produtivo num sentido absoluto, um cidadão de primeira classe, porque tempo é dinheiro, isto é, Capital.
PUBLICADO EM:22/09/2008 * A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango Fantasma (1977), O Animal dos Motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora (1986), Toda Prosa (2002) e Caim (2006). Participou de várias antologias importantes no Brasil e no exterior. Organizou três delas - uma das quais, Contos eróticos femininos, editada na Alemanha. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura brasileira contemporânea, jornalista e publicitária. |
CONVITE Prefeitura da Cidade de São Paulo |
Centro Cultural São Paulo
convidam para
Diálogos - Formando leitores
com: Marina Colasanti (escritora e jornalista)
mediação: Márcia Denser (escritora e curadora do projeto)
30 de setembro
Debate sobre a narratividade como alimento espiritual, da memória oral e escrita, da magia da leitura silenciosa e do livro como obra imperecível.
Terça, das 19h30 às 21h30
Piso Flávio de Carvalho - entrada franca
Mais informações: www.centrocultural.sp.gov.br
Rua Vergueiro, 1000 - CEP 01504-000
Paraís
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
dança das idéias

por Guto Maia publicado no Overmundo
Idéias são dançarinas sensuais e caprichosas, que dançam tentando seduzir-nos. Uma a uma passam diante dos nossos olhos e roçam seus lenços sedosos e macios na nossa face, e insinuam-se e oferecem-se para que as sigamos, prometendo mil e uma noites de prazer num bambolear sensual.
Hoje elas vieram me visitar. Quando os primeiros raios de luz do dia riscaram minha cara, meu cachorro se aninhou melhor nas minhas pernas, mas ele já sabia que estava na hora, e que não ficaria muito mais tempo ali, no quentinho da coberta e do papelão.
Ele aprendeu desde pequeno que é assim todo dia. Bem cedinho, pego minha carroça, ponho em cima os badulaques, bagulhos e cobertores onde dormi, e saio pelas ruas do bairro em busca de tudo que possa ser reciclado. Grande companheiro, o meu cão. Chamo-o de “dog”, porque sei que dog é cachorro, em Inglês, por causa do “hot-dog”. Antes ele ia em cima da carroça, agora que cresceu ele vai do meu lado, andando. Mas hoje também tenho a companhia das dançarinas (que me aporrinham a cabeça!).
Olho a cena pela janela. Penso em voltar para a cama. Mas com certeza as idéias que me tiraram o sono, não me deixarão mais dormir, resolvo colocá-las no papel. Assim, ficarei livre delas pra sempre. Aí, começo meu trabalho. Cato um resto de palavras aqui, algumas rimas de versos de pés quebrados ali, alguns fragmentos de linhas mal traçadas descartadas acolá. Sobras de conversas, sorrisos amarelos, sentimentos embolorados, projetos esfacelados, esperanças perdidas, juras de amor desfeitas, frases que não foram ditas, tudo serve, culpas acumuladas. Tudo que possa ser restaurado. Tudo que eu conseguir juntar, alguém quererá um dia. Vivo dessas sobras, raspas e restos de sentimentos, lágrimas embotadas, corações partidos.
Mas as idéias, essas caprichosas aí de cima, do parágrafo anterior, são insaciáveis. Quando mais me desdobro, me descabelo, me esfolo; tanto mais elas me subjugam, e me flagelam, e me extasiam. Sou seu escravo. Seu escriba. Escrevo. Elas me detêem.
Eu, catador. Catador de sonhos recicláveis em forma de palavras. Ou, vice-versa. Minha contribuição para o mundo é essa. Dilacerando-me, como o pelicano de Victor Hugo, ajudo na purificação, purgação, penitência, expiação, sei lá... E isso me alimenta. Palavras me alimentam. Inclusive as que não foram ditas. E regurgito. Mesmo em pensamentos, e isso serve a alguém, que também se alimenta. Palavras em pensamentos são energia, portanto existem. Idéias são energia (e me aporrinham a cabeça!).
Algumas palavras, no entanto, não têm valor pra mim. Há pessoas que até tentam reciclá-las. Eu, simplesmente as dispenso: juízo de valores, preconceitos, rancores, mágoas, são palavras difíceis de serem reformadas. Como um vaso quebrado, é difícil torná-las reutilizáveis, a não ser como armas, que também não gosto. Quem anda armado, um dia vai ter que disparar, e no revide, uma palavra perdida certamente atingirá alguém que não tem nada a ver com o pato, que vai ficar marcado pro resto da vida... Agora fiquei com sono.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Textos perversos
por Guto Maia * no Amálgama
O que como texto
Quero comer o que escrevo até me empanturrar. Até virar suco do que escrevo e não mais me reconhecer. Para isso, leio sem parar, tudo que me cai nas mãos. Recentemente, descobri o prazer de ler na tela. Maravilhoso. Sempre é preciso de tempo, esse algoz e cúmplice (depende, se estamos de frente ou de costas pra ele, se estamos indo ou voltando), que é o bem mais precioso que prezo e de que nem sempre disponho. E, também o mais desperdiçado por aí, no trânsito, nas filas, nos quartos sombrios, nas relações sem futuro, nas faculdades incompletadas por engano…
Hoje visitei seres virtuais, que são de carne e osso, como eu (como eu?). A tecnologia me transporta, mas quem me ensina são eles, de carne osso (não mais como eu, mas como texto! Como texto?) (...)
(...) O que como ferida
Um dia acordei, e vi que eu não era exatamente aquilo. Não queria ser exatamente somente aquilo. Não conseguiria jamais chegar a ser exatamente aquilo. Decididamente, eu não queria me tornar, viver e morrer somente aquilo. Então, fui sumariamente expulso de novo, por mim mesmo. Fui procurar minha turma de novo. Ou nova turma novamente. E, eis-me aqui de novo, batendo na tua porta… Voltei, agora pra ficar. Ficar? Ficar, o cacete! Certamente (ainda) não! Pensa que sou burro? Burro eu era no texto de cima. Agora não!
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
São Paulo criativa e barata

Rio de Janeiro (RJ), publicado no overmundo
São Paulo respira idéias boas, originais e – melhor – que circulam gratuitamente ou a baixo custo. Das muitas notícias e novidades geradas na metrópole todos os dias, duas postadas por aqui chamam atenção.
O seminário internacional e interativo Crie Futuros – Economia criativa vai reunir um time variado de gente de ONGs, empresas e governo para discutir como a criatividade pode contribuir para melhores visões do futuro. Nos dias 22 e 23 de setembro, vai ser possível ver debates e palestras de profissionais de esferas variadas, como George Yúdice, coordenador de Estudos Latino-americanos da Universidade de Miami, Wellington Nogueira, do Doutores da Alegria, Niède Guidon, presidente da Fundação do Homem Americano, no Parque Nacional da Serra da Capivara (PI) e Ronaldo Lemos, professor do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV e um dos idealizadores do Overmundo. Vale a pena conferir a programação e os participantes no post de Paula Martini – repare que as inscrições já estão rolando e são gratuitas! E fique de olho na cobertura que vem por aí.
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quarta-feira, 17 de setembro de 2008
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Marcia Denser
Márcia Denser |
*Texto publicado no site Congresso em Foco
* A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango Fantasma (1977), O Animal dos Motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora (1986), Toda Prosa (2002) e Caim (2006). Participou de várias antologias importantes no Brasil e no exterior. Organizou três delas - uma das quais, Contos eróticos femininos, editada na Alemanha. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura brasileira contemporânea, jornalista e publicitária.
domingo, 14 de setembro de 2008
Não seja mal arte-educado


doisdobrasil.blospot.com
Conheça um site em gestação dedicado à educação e cultura. Um depositário de idéias de arte-educadores, professores, escritores, poetas, filósofos, artistas e todos aqueles que têm prazer em dividir o que sabem, com arte e bom humor. Um espaço de aprendizes que dão valor ao estudo, à pesquisa, ao Conhecimento, e têm orgulho disso.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Quando os bons são melhores

Os bons são amados. Os bons são bem tratados. Os bons ganham mais. Os bons são seguidos e formam opinião. Mesmo quando suas opiniões não tão boas. Os bons nem sempre são os melhores, mas sempre saberão parecer bons o suficiente para que ninguém tenha dúvida que são muito bons. É bom estar no meio dos bons. A gente aprende mais, se diverte mais. A gente lê os melhores livros, assiste aos melhores filmes, antes da estréia; vai a óperas. Conhece as melhores mulheres, convive com pessoas inteligentes. Anda nos carros mais velozes. Mas, para estar entre eles - os bons -, é preciso parecer-se com um deles. Para quem não é muito bom, há técnicas de infiltração, dessas que jornalistas e espiões usam. É preciso usar um disfarce de bom. É fundamental estudar os hábitos dos bons, seu habitat, manias, etc, e tentar imitá-los em tudo. Os bons são um grupo de elite fechadíssimo, que só aceita seus iguais. Embora os bons possam parecer simpáticos e receptivos, (cuidado!) alguns pontos de atenção são fundamentais para o disfarce.
Alguns ítens para parecer bom:
1. Sorriso. Os bons sorriem mais, portanto têm bons dentistas;
2. Beleza. Bons são belos. É imprescindível ser belo, se você não for, fica mais difícil parecer bom;
3. Riqueza: Bons são ricos. Quem não nasceu rico, tem que fazer de tudo para ficar, senão nunca parecerá bom o suficiente. É quase impossível passar-se por bom sem dinheiro;
4. Inteligência. Os bons são inteligentes, pelo menos, parecem ser. Olhares e expressões inteligentes são fundamentais. Esforce-se para parecer inteligente;
5. Auto-estima. Os bons se amam. Mergulhe com tudo nos livros de auto-ajuda. O poço não tem fundo;
6. Cultura. Os bons são cultos. Entre na primeira banca, pesquise na internet. Leia, leia muito. Estude. O estudo faz o indivíduo, por pior que seja, parecer bom. Às vezes, de tanto estudar para tentar parecer bom, o indivíduo acaba tornando-se um;
7. Astúcia. Os bons são espertos, sagazes. Os bons são argutos. Têm o olhar vivo dos que não se deixam enganar, nem erram nunca, no máximo cometem deslizes, que os fazem parecer humanos;
8. Diplomacia. Os bons são habilidosos na negociação. Quem não é tão bom assim, sente tanto prazer de estar perto de um bom, que só percebe o quanto cedeu tarde demais;
9. Honestidade. Os bons parecem tão honestos que são confundidos com pessoas honestas;
10. Energia. Os bons têm energia saindo pelo ladrão. Parecem onipresentes, onipotentes, onicientes, e dão a impressão de que precisarão de mais 3 vidas para realizar tudo que planejam. E recebem antecipadamente por isso;
11. Sensibilidade. Os bons são capazes de emocionarem-se às lágrimas diante de uma obra de arte, respeitam os desvalidos, mas detestam os medianos;
12. Firmeza. Os bons são incisivos. Impositivos, são capazes de errar com tanta convicção e segurança, que todos sentem-se envergonhados de pensarem diferente. Os bons chamam isso de atitude;
13. Liderança. Os bons são frios e calculistas. Chegam a ser cruéis com comandados, adversários, inimigos e familiares;
14. Justiça. Parecem justos. São justos, principalmente com seus sentimentos. São capazes de criar uma ética própria, que se enquadra no seu senso de justiça e valores. Criam regras, princípios, normas e diretrizes, que, óbvio, sempre os privilegiam;
15. Cabotinos. Egocêntricos e vaidosos. Todos esperam que os bons sejam egocêntricos e vaidosos de sua imensa bondade e sabedoria;
16. Auto-indulgentes. Permitem-se qualquer exagero em nome de seus princípios. Sentem imenso prazer em serem reverenciados. Sempre têm muitos seguidores em volta. O poder dos bons é medido pelo tamanho do seu séquito;
17. Determinados. Os bons são focados, concentrados nos seus objetivos. Nada os demove de suas intenções;
18. Esmero técnico. Os bons são caprichosos. Qualquer trabalho feito pelos bons são bem feitos e têm acabamento impecável;
19. Detalhistas. Chegam a ser insuportaveis com serviçais e subalternos. Os bons ficam histéricos com partículas de poeira em algum móvel da casa, têm ojeriza a camisa amassada, terno mal cortado, cheiro de cigarro(mas, adoram cheiro de charuto havano), bebida falsificada, perfume barato, mofo, animais, crianças, pic-nics, acampamentos;
20. Auto-controle. Calma. Os bons são capazes de executar qualquer projeto arriscado, qualquer investimento (principalmente com dinheiro alheio), qualquer mega-empreendimento com a serenidade de um monge;
21. Vencedores. Os bons são os melhores. Sabem que ser vice é ter sido derrotado, e que o mundo só reverencia os primeiros colocados. "We are the champions, my friend!"
22. Sorte. Principalmente sorte. Os bons têm sorte pra cacête! Especialmente, por terem nascido onde nasceram, seja lá onde foi.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Aprendizes de ensinar

Um país que privilegia o “se dar bem na vida” a qualquer custo, ao invés da criação de um “projeto de vida pessoal ”, baseado na constância da leitura e no estudo; onde o mau exemplo vem da maioria dos pais, que mentem, enganam e são dissimulados para com os filhos; um país que culturalmente incentiva a polarização dos seus cidadãos entre “espertos” e “manés”; que não protege seu meio ambiente; que produz um eleitor que não sabe em quem votou nas últimas eleições; elege governantes desqualificados, que têm o interesse em perpetuar o statu quo vigente degradado, que o geriu, mantém e privilegia. Esse país nos leva a sucumbir e merecer o que temos, embora não aceitemos. E ainda nos deixa a todos culpados pela falta de atitude. Talvez, só as novas gerações (que temos a incumbência de educar) podem salvar nosso país. Ainda assim, é preciso que saibamos como educar. Educação começa no exemplo e na ação. A reflexão que você propõe é um bom exemplo de educação. Somos aprendizes de ensinar.
(comentário sobre: "Nossa classe média é culturalmente pobre", de Marcelo Spalding
Porto Alegre, no Digestivo Cultural , em 11/09/2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Biografias II

Agora estou lendo a biografia de Gore Vidal escrita pelo próprio (Palimpsesto, memórias. Rio, Rocco, 1996), considerado o maior rival e inimigo declarado de Truman Capote. Quer dizer, “lendo” é força de expressão, antes “decifrando” aquilo que sobrou duma péssima tradução: ironicamente tanto Vidal quanto Capote em versão brasileira empatam, isto é, são igualmente mal traduzidos. E, absurdamente, Gerald Clarke, um escritorzinho de quinta categoria, biógrafo de TC [1], recebe uma tradução impecável assinada por Lya Luft (lembrando que, um dia, ela foi uma escritora rigorosamente da série literária).
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[1] Capote, uma biografia. Gerald Clarke: S.Paulo, Editora Globo, 1993.
*Texto publicado no site Congresso em Foco
*A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango Fantasma (1977), O Animal dos Motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora (1986), Toda Prosa (2002) e Caim (2006). Participou de várias antologias importantes no Brasil e no exterior. Organizou três delas - uma das quais, Contos eróticos femininos, editada na Alemanha. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura brasileira contemporânea, jornalista e publicitária.
Zé da Luz | Projeto Viramundo | Fernando de Nororonha
Trailer | Projeto Viramundo | Fernando de Noronha
A primeira impressão é a que não fica! Eu me sinto de peruca e peladão, esboçando um comentário sobre o"working in progress" de um documentário que terá pessoas muito mais competentes para fazê-lo (comentário), quando ficar pronto (documentário). Mas, confio na intuição, que (geralmente) acerta na primeira, ela diz que vocês são ótimos e o trabalho ficará humanamente maravilhoso, como dá pra perceber pelos ricos personagens que habitam a Ilha. Estarei torcendo e aguardando. Parabéns! Guto.
Ah, e a música escolhida foi demais!
domingo, 7 de setembro de 2008
Brincadeiras em Grupo: CABRA-CEGA
CABRA-CEGA: - (MODERADO)
Material: 1 lenço e um saquinho de farinha.
Desenvolvimento: - Cabra cega?! - Senhor. - De onde vieste? - De trás da serra. - Que trouxeste? - Um saquinho de farinha. - Dá-me um bocadinho/ - Não chega p’ra mim mais minha velha. As crianças todas tentam beliscar o saquinho de farinha que a cabra-cega, de olhos vendados, no meio da roda tem em uma das mãos; e ela tenta agarrar as que lhe aproximam. A que se deixa prender, ou tocar, passa a ser cabra-cega e a brincadeira recomeça.
Abra os olhos na hora de votar!
AS VÁRIAS FACES DA TIRANIA
por*José de Almeida Amaral Jr
>>>observando uma estrutura que expunha pequenas estatuetas milenares de barro representando músicos, aproxima-se uma dupla, garoto e seu pai, de onde ouço o seguinte diálogo: - o que é isso? perguntou a criança. E a resposta: - São ídolos. Venha, vamos embora, sentenciou o homem de forma curta e grossa puxando o filho pela cabeça. Ignoraram solenemente os painéis explicativos presentes ao longo dos corredores e em cada item exposto.
Professor universitário em Ciências Sociais, Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação, Colunista do Jornal Cantareira, Colunista pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600 Khz e escreve semanalmente para o Mundo Lusíada Online. http://www.mundolusiada.com.br/COLUNAS/ml_coluna_170.htm
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
DoisdoBrasil in trio



O DoisdoBrasil(GutoMaia** e Rossana Rosengarten***) duo que se apresenta em hotéis e eventos há 13 anos, passa a contar com Diego Baptista****, violonista erudito e percussionista. A estréia acontece no próximo sábado, dia 6 de setembro de 2008, a partir das 12 horas, no Novotel Morumbi*****.
*DoisdoBrasil www.doisdobrasil.com