domingo, 7 de setembro de 2008

AS VÁRIAS FACES DA TIRANIA


por*José de Almeida Amaral Jr
>>>observando uma estrutura que expunha pequenas estatuetas milenares de barro representando músicos, aproxima-se uma dupla, garoto e seu pai, de onde ouço o seguinte diálogo: - o que é isso? perguntou a criança. E a resposta: - São ídolos. Venha, vamos embora, sentenciou o homem de forma curta e grossa puxando o filho pela cabeça. Ignoraram solenemente os painéis explicativos presentes ao longo dos corredores e em cada item exposto.
Esta cena assistida remeteu-me imediatamente à experiência da autora romena descrita anteriormente. Aquela que com sua família fugiram no desejo de preservar sua lucidez. A liberdade de pensar, de ter idéias, de atuar. De vir ao mundo para conhecê-lo e nele interagir. Em outras palavras: de serem palhaços, acrobatas, malabaristas. De serem sujeitos. Arriscaram desastrosamente sua existência por essa chance. Por outro lado, o menino, iniciando ingenuamente sua longa jornada na busca de decifrar a vida e, paradoxalmente, imerso naquele esplendoroso ambiente das artes plásticas e humanidades, é tolhido também brutalmente, tendo anulado o seu direito de saber, impondo-se sobre ele a obscuridade. Sem diálogo. Sem meios termos. Sem mais nada. Radicalismo de pai para filho, como uma genética da ignorância. Reproduz-se a subserviente cegueira dogmática proibição da reflexão. Massa de manobra.
O não à divergência, ao querer saber por que, ao aprofundamento, à interpretação. Inquisições, fogueiras ou paredões para os que ousam pensar. Exegese? Hermenêutica? Portas fechadas à razão. Idolatria da estupidez, impiedosa tirania.
Em plena ‘era do conhecimento’, do mercado globalizado, dos saltos tecnológicos nas ciências exatas e biológicas, a humanidade caminha com passos curtos em alguns de seus direitos mais básicos que devem ser estendidos indiscriminadamente a todos: alimentar corpo e a mente com dignidade.
Leia mais artigos de *José de Ameida Amaral Jr publicados no Jornal Mundo Lusíada online
*Prof. José de Almeida Amaral Júnior
Professor universitário em Ciências Sociais, Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação, Colunista do Jornal Cantareira, Colunista pela Pascom na Rádio 9 de Julho Am 1600 Khz e escreve semanalmente
para o Mundo Lusíada Online. http://www.mundolusiada.com.br/COLUNAS/ml_coluna_170.htm

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

DoisdoBrasil in trio



















O DoisdoBrasil(
GutoMaia** e Rossana Rosengarten***) duo que se apresenta em hotéis e eventos há 13 anos, passa a contar com Diego Baptista****, violonista erudito e percussionista. A estréia acontece no próximo sábado, dia 6 de setembro de 2008, a partir das 12 horas, no Novotel Morumbi*****.


*DoisdoBrasil www.doisdobrasil.com

**Guto Maia nasceu em São Paulo, músico, compositor, editor e artista multimídia. Estudou música no Clam, Cia das Cordas, Studio Meyer. Teve aulas com Luis Chaves, José Roberto Araújo, Kiko Moura, Arnaldinho do Cavaco , Luis Tatit, José Miguel Wisnik. Workshop com Conrado Paulino. É formado em Adm. de Empresas (Universidade Brás Cubas e Uni-Santana), cursou 3 anos de Arquitetura na Faculdade de Belas Artes; extensão universitária em Artes, na UFMG (2 anos); foi do Coralusp (3 anos), Coral do Centro Cultural SP (3 anos), e Madrigal Canto Vivo (2 anos). Cursou teatro, no Macunaíma; dramaturgia, poesia, ficção e crônica, na Oficina da Palavra; pintura, no Atelier Franulic; desenho, na Escola Panamericana de Arte. Participou de diversas exposições de artes. Foi professor do Senac (2 anos), Escola Novo Horizonte (4 anos), , Atelier Franulic (4 anos)e Teatro Escola Macunaíma (4 anos).Escreveu e dirigiu, entre outras, a peça "Nunca Me Vi, Sempre Me Amei! (Jornada Sesc /1993). Compôs trilhas para teatro, vídeo e participou de festivais. Primeiro Lugar na Promoção: “EU ADORO MPB” da Rádio Musical FM, e finalista do I Festival O Feitiço de Áquila da Canção /97 (Duo Brasil). Criou e foi coordenador de Oficinas Culturais. É Editor dos blogs "Canal do Nicolau!" e "DoisdoBrasil", de arte-educação e cultura.

***Rossana Rosengarten é cantora mezzo-soprano. É formada em Educação Artística pela Faculdade de Belas Artes/SP. Integrou o Coral Lasar Segall por 7 anos, e teve aulas de técnica vocal com Bia Malnic e Vânia Storolli. Primeiro Lugar na Promoção: “EU ADORO MPB” da Rádio Musical FM, e finalista do I Festival O Feitiço de Áquila da Canção /97 (Duo Brasil). Foi professora do Colégio Renascença (2 anos), e artista plástica. Formação: Educação Artística na Faculdade de Belas Artes de São Paulo; História da Canção Brasileira no Sesc; desenho na Escola Panamericana de Artes, percussão com prof. Tatá.

****Diego Baptista Paulistano nascido em 1979, é Bacharel em Filosofia pela USP; mestrado pela UNICAMP , e cursando doutorado; iniciou-se ao violão sob a orientação de Éder Francisco, tendo estudado também com Everton Gloeden e concluido o 4º ano do curso de Violão Erudito na ULM (Universidade Livre de Música). Participou de workshops de técnicas do violão popular com Camilo Carrara e Ulisses Rocha. Desenvolve atualmente trabalho de pesquisa e execução da obra violonística de Villa-Lobos, a qual tem apresentado em restaurantes e bares de hoteis. Atuou em mais de cinquenta apresentações como violonista do grupo “Versátil Serenatas”. Utiliza um violão do luthier Luis Carlos Pepeneli-2005. É professor de violão erudito e popular e integrante do grupo "Os Pagãos", de choro instrumental e canções brasileiras.

*****Hotel Novotel Morumbi Rua Ministro Nelson Hungria, 450 - Morumbi SP (11)3787-3401

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Concordo, mas lutarei até a morte para provar o contrário

Um francês apaixonado por japinhas. Autor de "Espinafre de Yukiko" e "Garotas de Tokio", dois ótimos títulos já publicados no Brasil e representantes do nouvelle mangá.
Frédéric Boilet -- nouvelle mangá
http://www.boilet.net/

por *Caue Maia, no seu multiply

Existe um Homero em cada autor

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O Estado de São Paulo - 31/08/2008 - por Rodrigo Lacerda

A Ilíada e a Odisséia são duas obras que certamente se encaixam numa coleção chamada Livros que mudaram o mundo. Escritas por volta de 800 anos antes de Cristo, desde então fazem parte do chamado cânone ocidental. Mas nem sempre este pertencimento ao cânone foi visto com tanta naturalidade. É exatamente do processo de consolidação dessas obras, e de seu autor, na lista dos clássicos de todos os tempos, que trata o novo livro do escritor, tradutor e antologista Alberto Manguel, Ilíada e Odisséia - Uma biografia (Jorge Zahar, Trad. , , 272 pp., R$ 39,90). Os capítulos de abertura abrem espaço para um pequeno resumo dos poemas e para a indefectível discussão sobre a existência ou não de Homero. Mas não são eles que importam. Fazer a "biografia" dos dois livros primordiais da literatura grega, como propõe o título, significa recuperar as diversas leituras que já inspiraram.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080831/not_imp233584,0.php

Afinal, qual é o lugar da autoria na rede?

Por Fábio Oliveira Nunes*
>>>Evidentemente que nos apegamos naquilo que criamos: desvencilhar-se deste caráter paternal é um desafio, realmente! Desde que as fontes estejam claras (como pedem as licenças abertas), em alguns casos, poderemos nos render a criadores mais sagazes que nós, sentindo-nos até mesmo honrados, por que não?

A história da arte é uma constante de inúmeras releituras – o que nos torna apenas fiéis depositários de condições presentes.>>>
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Publicado no Cronópios 28/8/2008 23:42:00

(comentário) por Guto Maia
2/9/2008 01:39:16
Fábio, sempre pertinente essa discussão sobre autoria de obras na internet. Possivelmente, os "direitos" de criação passarão a ser pautados por uma nova Ética, que vem sendo escrita também "work in progress", através de fóruns e reflexões como a que você propõe. Como ainda não existem fórmulas que consigam normatizar a maioria das questões na internet, tudo parece acontecer sem diretrizes. Uma coisa é certa, a qualidade de tudo que se publica, vem melhorando profundamente, pois os céticos e resistentes à grande rede, até então, começam a aproximar-se, trazendo, com seu ceticismo, uma demanda por qualidade menos codificada. Ao mesmo tempo, eles descobrem que há vida inteligente na internet há muitos anos. Por outro lado, cada vez mais, os leigos digitais também têm acesso assegurado pela abertura dos códigos. Então, a seleção natural vai acontecendo como um rastilho de pólvora aceso. De toda discussão de alto nível, espera-se soluções idem. Talvez, o desapego possa vir a ser uma delas, e o grande privilegiado - o Conhecimento, e não a lei do mais esperto.
Abraço.

Fábio Oliveira Nunes*: Guto, excelente comentário!
Concordo completamente. Aliás, se pretendemos alcançar novos níveis de qualidade de conteúdos da rede não poderemos nos render ao medo da “lei do mais esperto”, esperando que as tramas da rede sejam lugares seguros algum dia.
Abraço!


Publicado no Cronópios 2/9/2008 01:39:16

*Fábio Oliveira Nunes(ou Fabio FON) É doutor em artes na ECA-USP, pesquisando sobre a arte em novos meios. É também mestre em multimeios na UNICAMP e bacharel em artes plásticas na UNESP. Atua como artista multimídia e webdesigner. É autor de Web Arte no Brasil (http://www.fabiofon.com/webartenobrasil) e co-organizador do site Artéria (http://www.arteria8.net).Site pessoal: http://www.fabiofon.com E-mail: fabiofon@hotmail.com

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O que como texto

por Guto Maia
>>>Quero comer o que escrevo até me empanturrar. Até virar suco do que escrevo e não mais me reconhecer. Para isso, leio sem parar, tudo que me cai nas mãos. Recentemente, descobri o prazer de ler na tela. Maravilhoso. Sempre é preciso tempo, esse algoz e cúmplice, (depende, se estamos de frente ou de costas pra ele, se estamos indo ou voltando. Correndo atrás ou dele), que é o bem mais precioso que prezo e de que nem sempre disponho. E, também o mais desperdiçado por ai, no trânsito, nas filas, nos quartos sombrios, nas relações sem futuro, nas faculdades incompletadas por engano... Tempo de aprender, tempo de plantar, amadurecer, renascer... Então, cato mais um pouco do seu tempo aqui, outro pedaço ali, de alguém que o esqueceu, outro, que ninguém viu passar, outro rasgado que ninguém quis acolá; e vou juntando tudo numa colcha de retalhos de pensamentos, um patchwork colorido de lembranças que vira um tecido de sentimento, dou um acabamento e, pronto!, um pedaço de vida que parece novo. Um dedo de prosa a mais, na costura, uma boa risada, uma lágrima que ninguém viu... E vem o arremate. Feito o acabamento, mostro o resultado, orgulhoso e, às vezes, até emocionado - coisa besta de quem escreve e quer ser lido, e alguém falará: "puxa isso parece que fui eu que escrevi! Tem tudo a ver comigo. É a minha cara!". Ai, penso: "eu, que achava que estava sendo original..." Como sou burro.
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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Música é agora obrigatória nas escolas

por José de Ameida Amaral Jr
Em 18 de Agosto de 2008 o presidente da república sancionou a lei nº 11.769 que altera a de nº 9.394/96, Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB, para dispor sobre o ensino da música na educação básica, tornando finalmente obrigatório o seu estudo nos níveis fundamental e médio no país. Até agora, dentro do que estava sendo estipulado pela LDB, a música era conteúdo optativo na rede, a cargo do planejamento pedagógico das secretarias estaduais e municipais de educação, podendo a escola oferecer no ensino geral artístico música, teatro, dança e/ou artes visuais. Mas, com a mudança, agora a música passa a ser conteúdo obrigatório, embora não exclusivo. Isto representa que o planejamento pedagógico deve continuar a também contemplar as demais áreas artísticas. O Ministério da Educação recomenda que, além das noções básicas de música, dos cantos cívicos nacionais e dos sons de instrumentos de orquestra os alunos aprendam também cantos, ritmos, danças e sons de instrumentos regionais e folclóricos para que, desta forma, os estudantes possam conhecer a amplitude cultural brasileira. >>>
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Leia mais artigos de >>>José de Ameida Amaral Jr

200 Anos – Música para a Corte e para o povo

publicados no Jornal Mundo Lusíada online

Amores paulistanos

por Guto Maia
O amor tem dessas coisas. Como disse Itamar Assunção: "Venha até São Paulo ver o que é bom pra tosse! Venha até São Paulo dance e pule o rock and rush. Venha até São Paulo viver à beira do stress. Fuligem catarro assaltos no dia dez". São Paulo produz filhos que a renegam. O orgulho de ser paulistano é instável como a própria cidade. Após cada inalação, volto a amá-la. Qual o perfil do verdadeiro paulistano? Quem vive nos Jardins, no Brás ou na periferia? No Bom Retiro, quem não lê coreano, sente-se estrangeiro diante das placas das lojas. Uma cidade que é de todos, não é de ninguém. Ser filho de quem não é de ninguém, é perturbador. Sabemos cada defeito da nossa mãe, mas quando a ofendem viramos bichos. Mas, amanhã tudo recomeça, e a luta pela sobrevivência volta a nivelar a todos por baixo da poluição. E, no trânsito, blasfemaremos num coro de insensatos alérgicos. Os que lutam com palavras, procurarão fazer justiça com as próprias mãos... O amor tem dessas coisas.

[Sobre "Trauma paulistano"] no Digestivo Cultural

O que como (Textos Perversos)

porGuto Maia
>>>Um dia acordei, e vi que eu não era exatamente aquilo. Não queria ser exatamente somente aquilo. Não conseguiria jamais chegar a ser exatamente aquilo. Decididamente, eu não queria me tornar, viver e morrer somente aquilo. Então, fui sumariamente expulso de novo, por mim mesmo. Fui procurar minha turma de novo. Ou nova turma novamente. E, eis-me aqui de novo, batendo na tua porta... Voltei, agora pra ficar. Ficar? Ficar, o cacête! Certamente, (ainda) não! Pensa que sou burro? Burro eu era no texto de cima. Agora não!Tô só tomando fôlego. Não gosto da tua mão gelada. Gente do nosso barro, quanto mais instigada, mais aguerrida fica. Somos como o touro na arena. Quanto mais pares de banderilhas no lombo, mais agressivo ele se torna. A única diferença é que o touro não sabe quem vai morrer primeiro. Nós sabemos. Torquato dizia: "Leve um boi e um homem ao matadouro. Quem berrar mais na hora da morte, é o homem, nem que seja o touro!" Demorei para entender essa frase humanista e bovina, talvez, porque sou um pouco burro... Mas, a arte tem dessas coisas que a própria razão desconhece, não são para serem entendidas, apenas sentidas. Quem se expressa na arte, lambe tanto a ferida que fica impossível cicatrizar.>>>
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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Do Digestivo

Trauma paulistano, por Eduardo Mineo
em 25/8/2008

Depois de ser apresentado à zona sul carioca, não consegui mais pensar em como apresentar São Paulo sem usar o qualificativo "droga" antes de tudo:

― Esta é a droga do Ibirapuera.
― Esta é a droga da Avenida Paulista.
― Esta é a droga da praça da Sé.

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Lí no Amágama

Comentário sobre

"Lembranças Revisitadas", de Paulo Vilmar, no Amálgama

PorGuto Maia /// 25–08–2008 9:09 am

Quantos, por todos os motivos e cantos do mundo, não tiveram, não têm, jamais terão, essa generosidade/capacidade/necessidade de usar de forma tão competente essa ferramenta/arma de fazer justiça à própria consciência histórica: um texto sincero e bem escrito? Esse, lhes dá voz.

Leia o texto>>>

* Paulo Vilmar é advogado e mora em Santa Maria-RS. Blog: http://caldodetipos.blogspot.com/

domingo, 24 de agosto de 2008

Nicolau, de Neanderthal @ Digital

por Guto Maia  
Eu não falava português quando nasci. Aliás, nem falava. Tivesse eu nascido na China, falaria chinês.  Tivesse nascido cachorro, latiria.  Nascido burro, rebusnaria! E mesmo que eu nascesse surdo e não falasse, ainda assim, viajaria pra todo canto, e me faria entender, até por cachorros e burros de outras regiões que falam chachorrês e rebusnês, é claro. Comunicação entre seres vivos é da vida. Mesmo um eremita ou ermitão na sua solidão, se comunica com outros seres de outras espécies menos solitárias e menos estúpidas que ele (!), talvez. Há quem acredita até, que os vivos se comunicam com os mortos! A internet elevou essa comunicação (de vivos com vivos! e até com mortos, talvez (!)) a potências infinitesimais e inimagináveis.
Quando nem havia internet, alguém sentenciou: “Quem não se comunica, se estrumbica!” E, tome buzinada!
Somos todos “Chacrinhas” na internet. Escrevemos meta-textos, falamos por tags, acessamos por play, iconizamos tudo (!).
Quando olho >>>, já sei pra onde estão querendo me mandar ir. Já não me ofendo quando o computador fala: “você não quis dizer isso ou aquilo? (sua besta!)”, me chamando descaradamente de burro! Ou, quando duvida da minha competência, quando pergunta: "tem certeza que quer ir para esse link?" (seu estúpido!). Não ligo mais, sei que tudo é pro meu próprio bem. Relaxo. A intuição nunca foi tão bem exercitada como hoje. Já não me desespero quando leio: "erro grave. esse programa tem que ser encerrado imediatamente”, ou “você cometeu uma ação ilegal”. Me pergunto: “como conseguimos viver tanto tempo sem internet, celular, laptops, memória virtual, etc?” Como éramos “desconectados” da realidade, rs! Vivemos hoje a era da googlelização, wikipediamos qualquer dúvida, rankeamos qualquer microemoção, rakeamos ideias, favoritamos nossos iguais, twittamos nossos inimigos, queremos-nos seguir nossos ídolos, roubamos até seus perfis. Agregamos valor a tudo que nos diz ou não diz: Respeito (!).
Hoje, haverá algum problema sem solução? Existirá ainda alguma dúvida sobre o que quer que seja?  Encontramos em tempo real, respostas pra quaisquer perguntas. Nem sempre confiáveis, mas estão à mão. Pergunte: "quantas porcas você precisará para todos os parafusos de todos os dormentes de uma ferrovia de 2.000 quilômetros", e você terá a resposta!  Vivemos no futuro: portanto, nem nascemos ainda. Julio Verne sentiria inveja da nossa competência. Eu como tecnologia, eu viro tecnologia, como um verme virtual, um virus viral. Há seis meses, eu era um excluído virtual, um analfabeto digital. Hoje, me engajo até em salvar chinchilas brancas do interior do Alaska, onde nunca estive e talvez nunca vá! Mas, me senti compelido a ir pela web. E, quando vejo @ sei que vou para algum lugar que nem imaginava que existisse (!); quando clico num link, ciclo várias encarnações de compartilhamentos, posso não saber o que vou encontrar, mas sei que estou indo para um caminho sem volta. Invento neologismos “inicializando” um novo ciclo na minha vida! Um caminho que nem é visível, por conseguinte etéreo, atemporal, virtuoso e ideal, como maconha para um hippie cibernético.
Navegar é preciso, viver nunca foi tão preciso; se você sabe por onde navegar, você vale mais e se salva, tudo se encerra então numa grande batalha naval de navegadores invisíveis. Não adianta mais só saber nadar para não se afogar. Esse mar também queima! Temos, então, que aprender a andar sobre as águas, abrir oceanos. Seremos onipotentes e onipresentes. A grande vantagem do ser virtual, é ser inacabado. Pode ter alguém lendo esse texto agora, e nem sabe que já estou mudando o final... Talvez, quando voltar, eu até o tenha deletado, tamanho o meu poder. Simples, assim. Mas, não está mais aqui quem falou. Já está lá no futuro!. 

(e, no entanto, ainda não temos a cura do câncer, da gripe, da aids, da fome, da falta de caráter, de dignidade...)

A humanidade caminha a passos largos de tartaruga.

Guto Maia

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Aqui, sem que ninguém nos leia...

Por Guto Maia
Pessoal e intransferível...Parece que o melhor lugar para escrever algo que ninguém vai ler é um blog. É ótimo para esconder escritos. Melhor que gavetas. Em gavetas (coisa antiga!), alguém sempre acaba achando. É como o adúltero que quer ser descoberto. A sensação frustrante e resignada de blogueiro lembra Ionesco que passou a vida toda tentando provar para o pai que escrevia bem, depois de ter seus escritos de criança bisbilhotados numa gaveta. Seu pai sentenciou que eram muito ruins. O dramaturgo produziu uma vasta obra, na compulsão de desmentir o pai. Ao final da vida curvou-se ao inexorável, afirmando: “Tudo que escrevi é muito ruim. Meu pai tinha razão!” Pois é, quem escreve em blogs descobre que escreve pra si, mas tem a garantia de que seus pais nunca lerão.

[Sobre "Crise existencial blogueira"]
no Digestivo Cultural

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Anarco-capitalismo & Transgressões Inc.

por Marcia Denser *

>>>Desde o século XVIII, o próprio Marx escreve: “O que distingue a época burguesa de todas as precedentes é a incessante introdução de mudanças na produção, a desestabilização contínua de todas as instituições sociais, a permanência da instabilidade e do movimento. Todas as relações sociais dissolvem-se; as que as substituem envelhecem antes mesmo de se esclerosarem. Tudo o que era sólido, se desmancha no ar, tudo o que era sagrado se encontra profanado e, afinal, os homens são forçados a considerar com um olhar desiludido o lugar que ocupam na vida e suas relações recíprocas.” Leia mais>>>
  • O dia do escritor
Me disseram que 25 de julho foi Dia do Escritor.
Mas quem decretou, instaurou, determinou arbitrariamente que no mês de julho, dia 25, seria comemorado ou inaugurado ou lembrado ou midiado ou festejado ou reminded the writer? Hein?

Leia mais>>>

*Texto publicado no site Congresso em Foco
* A e
scritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango Fantasma (1977), O Animal dos Motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora (1986), Toda Prosa (2002) e Caim (2006). Participou de várias antologias importantes no Brasil e no exterior. Organizou três delas - uma das quais, Contos eróticos femininos, editada na Alemanha. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura brasileira contemporânea, jornalista e publicitária.